Marli Marlene Hintz

Obras: textos




A difícil vida dos primeiros anos: um retrato do sofrimento


É certo que os primeiros imigrantes, ao aqui se estabeleceram, abrindo as novas picadas, tiveram dificuldades inimagináveis, onde a necessidade mais urgente era a de trabalhar para sobreviverem. Muitos assim chegados e sem outros meios, iniciaram sua vida como “agregados”. Verifica-se este fato nos livros de óbitos do Cartório de Registros Públicos, principalmente até 1900, onde aparecem duas formas distintas da mesma profissão: a dos colonos lavradores, em sua maioria, e a dos agricultores. Ao registrar o óbito, evidencia-se essa diferença, pois os proprietários de terras, ao se incumbirem dessa tarefa, mencionam o falecido como “lavrador”. Como o passar dos anos, a partir já da primeira geração de filhos, essa expressão vai sendo substituída por “agricultor”, quando também passa a ser confirmada a propriedade da terra.
Naquele período inicial, havia a inexistência de tudo: não havia ...
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Talvez fosse correto imaginar que, se dependesse apenas da força e vontade dos primeiros imigrantes, todos teriam sido vencedores. Mas não era. Suas vidas também dependiam diretamente de fatores climáticos, os quais dizimavam colheitas inteiras, como a grande seca, ocorrida em todo o Estado, em 1876, que não poupou sequer os animais, nas propriedades onde não havia água em abundância. Ou ainda, as grandes enchentes, como a que houve em 1919, onde João Henkes, residente na Linha Passa Sete, perdeu quatro filhas, desde o bebê de dois meses, até a ...


(In: HINTZ, M. M. Retalhos de Candelária, da pré-história à colonização européia. São Leopoldo: Oikos br>
Editora, 2006, II vol. Os imigrantes, p. 36, 40)





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