Feito por homens de bem, de linguagem culta e esmera inteligência, reunida em local apropriado, após a meia-noite. Constava, no final, de linhas e entrelinhas dúbias. Fato esse que não foi visto com tristeza, mas sim, com certo alívio. A culpa, é lógico, recairia, se questionado, sobre o escrevinhador que, devido ao baixo salário pago pelo cargo, foi preenchido por um senhor magricela recém-alfabetizado. As idéias do grupo? Ah, essas não! Essas eram brilhantes, cuja lapidação havia custado quilates de intelectualidade de gente tão esforçada ... construir galipões em lugares apropriados, tipo no deserto, ou em rochedos ou quiçá até no fundo do mar, sugeriu o mais esperto. O acesso era fato secundário. O fundamental era sua grande utilidade.
O material a ser empregado, ou seja, os gradaós, deveriam ser, com certeza, importados de países distantes. Os recibos, no entanto, pela sua pouca importância, poderiam ser substituídos por os de alguma gráfica de fundos. Se necessário fosse o seu registro, todos concordavam que o cartório seria o do Doutor Ausente, pois era o mais confiável.
Estabelecidos os procedimentos afins, fez-se a nomeação do engenheiro responsável que, sem dúvida, por sua astúcia em construções, era o Doutor Fio Surupiado. Lamentavelmente, o tempo de entrega de cada unidade ficou em branco. Sabe-se de antemão dessa dificuldade. As empreiteiras andam tão abusadas que não respeitam seus contratos. Talvez o lapso também não fosse apenas delas. O material sempre falta na ocasião.
Por isso, o único definido no prazo justo, mas que não foi nada fácil, foi o percentual de cada participante de tão fastioso e exaustivo tratado.
(HINTZ, M.M.)
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